Sarampo... vacinar para quê?!

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 Muita polémica se tem gerado em volta deste pequeno (aparentemente ainda contido) surto de Sarampo... e com razão. A maioria de nós não é do tempo ou é demasiado novo para se lembrar da última epidemia de 1987 a 1989, com cerca de 12 mil casos documentados e com um total de 30 mortos notificados. Já nesta altura a vacinação contra o sarampo estava há mais de 10 anos incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV) e ainda assim não foi suficiente. Foi necessário introduzir um reforço mais tarde, e à medida que tempo foi avançado, reajustar mediante a evolução da doença.

 A vacina contra o sarampo, uma apresentação 3 em 1 (sarampo, papeira e rubéola) e designada VASPR, é gratuita e está no PNV, sendo administrada a crianças com 12 meses (primeira dose) e com 5 anos (segunda dose).

Mas vacinar porquê?

 Porque o sarampo é uma das infecções virais mais contagiosas, é transmissível de pessoa para pessoa através da via aérea, por gotículas - aquilo que vulgarmente chamamos de perdigotos que saltam quando espirramos, tossimos ou falamos - ou aerossóis - são partículas muito mais pequenas que as gotículas mas que permanecem em suspensão no ar até horas e com um grande alcance. O contacto directo com secreções nasais ou faríngeas é também altamente contagioso.

 Quem não foi vacinado ou quem nunca teve sarampo tem uma alta probabilidade de contrair a doença quando exposto ao vírus, que pode assumir consequências graves ou até mesmo fatais.

 Embora haja possibilidade de eliminação desta doença porque a sua propagação é exclusivamente entre humanos e existe uma vacina segura, existem ainda alguns países onde o sarampo tem grande prevalência como a Angola (para onde viajam muitos portugueses, bem como angolanos para Portugal). Vários surtos foram surgindo ao longo dos últimos 10 anos espalhados também pela Europa. Muitos deles relacionados com falhas na vacinação.

Mas o que se passa hoje em Portugal?

Estão confirmados desde o início de Janeiro 21 casos de sarampo, com uma vítima mortal. Tanto quanto consegui apurar (a DGS não fornece grandes dados neste sentido), alguns dos casos estão associados à não vacinação dos indivíduos. Mas atenção ao que lêem nos media... existe muita informação deslocada e fora do contexto apenas para obter mais visualizações, criar uma onda de sensacionalismo e quase instigar linchamentos na praça pública. 

 É de facto um problema de saúde pública, devemos estar despertos para esta situação, mas não ao ponto de atirar pedras a pessoas das quais não sabemos a sua história. Atenção, com isto não quero dizer que sou anti-vacinas, mas acho que o caminho para mudar a mentalidade das pessoas que o são não é através da agressão verbal mas sim da informação, consciencialização e apoio.

Estejam alertas...

Este é um dos cartazes que poderão ver afixado no vosso Centro de Saúde por exemplo. Alerta-vos para sinais e sintomas, sobre transmissão, períodos de incubação...


Podem consultar esta e mais informação no site da DGS (todo este artigo foi elaborado na informação disponível emitida pela DGS).

Espero não vos ter maçado muito, e que tenham lido este post até ao fim... é de facto muito importante para todos, vacinar para segurança de todos!

Kiss kiss,
Catarina R.


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2 comentários:

  1. Também escrevi um post sobre a polémica. ;)
    Não me lembro da epidemia há uns anos mas recordo-me de se falar muito no sarampo, com receio, quando eu era miúda.


    Ms. Telita | Telita LifeStyleFacebookinstagram

    • novo grupo para divulgação de blogs: blogs Lifestyle Portugal

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  2. Eu também tenho a memória... a verdade é que já há 23 anos que não havia grandes alaridos. Mas à medida que aumentam os grupos de não vacinados, dá-se este tipo de situações...

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