Mom's Life - quero ir de férias sozinha

maternidade

 Nunca viajei só com amigos. Quando o fiz fui sempre acompanhada pelo namorado e foram raras as vezes. Infelizmente começar a trabalhar e a pagar o curso não nos deixa grande margem financeira para aventuras. Comecei a trabalhar em duplo, não porque queria ir viajar mas porque precisava do dinheiro para sobreviver. A certa altura, com a vida mais equilibrada, comecei a planear uma viagem a Paris com os meus melhores amigos, o André e a Ana. Setembro de 2015 era o objectivo. Bem, engravidei e o Alexandre nasceu no final de Agosto, por isso essa viagem não se concretizou. No entanto, acabámos por ir todos a Paris, viagem divertida mas com os seus momentos stressantes.

 A semana passada dei por mim a pensar na viagem a Paris que tínhamos inicialmente planeado. As viagens continuam baratas, estadia não seria uma questão, e poderia ver Paris com mais atenção. Adorei a cidade mas a certa altura estava tão cansada de toda a logística do carro do bebé (contam-se pelos dedos de uma mão as estações de metro com acessos), preocupada que ele dormisse, comesse, fizesse cocó, que desliguei de uma série de coisas. Pensei agora, porque não fazer um fim-de-semana com eles? 

 Não é fácil. Primeiro há o sentimento de culpa que é imputado pela sociedade. "Queres viajar e deixar um filho pequeno cá?", "Tivesses pensado em viagens antes de o ter", "Não deves viajar sem o teu filho, já sabias para o que ias quando o tiveste". "És uma mãe irresponsável ao pensar viajar sem o teu filho". São os comentários mais simpáticos que vejo pelas redes sociais. Segundo, existe a opinião (importante) da família. Apenas partilhei esta ideia com o Paulo e com os amigos em questão. Pelo o Paulo não irei. "Ok podes ir... mas daqui a uns quero ver-te a dizer ao Alex que foste à Disney sem ele". E embora não o tenha dito descaradamente, acha que é uma irresponsabilidade fazê-lo. Mas curiosamente acha que pode ir uma semana para a terra com os avós que fica a 4 horas de distância de carro, sem qualquer problema.

 Com isto não venho tentar desculpabilizar-me ou pedir "pancadinhas nas costas" de apoio. Quero perceber de facto como outras mães fazem a gestão dos seus desejos, necessidades face às da sua família. Acredito que haja sacrifícios a fazer em prol do bem-estar dos nossos filhos. Mas o nosso bem-estar é igualmente importante, o mesmo reflecte-se no nosso dia-a-dia, na forma como cuidamos de nós e dos que nos rodeiam. Porque uma mãe feliz tem muito mais paciência e disponibilidade do que uma mãe cansada e infeliz. Compreendo que há mães que não o fazem. Porque simplesmente não sentem essa vontade ou porque o vêem como um sacrifício para os filhos e não o fazem. Seja qual for a razão, não as condeno. Estamos todas no mesmo barco da maternidade, umas toleram melhor a turbulência que outras.

 Contem-me, quem passa ou passou pela mesma situação?



Kiss kiss,
Catarina R.

12 comments:

  1. Em questão de maternidade/paternidade não posso falar, mas como pessoas que já viajou com amigos e a dois, devo dizer que é sempre complicado viajar com amigos e pode ser um pouco frustrante, sobretudo em cidades como Paris porque uns querem todos ir a sítios diferentes, uns não gostam de museus, monumentos e afins, outros querem muito visitar todas essas coisas e depois cada um tem o seu ritmo e tempo... pode acabar tudo numa grande frustração e já não ser uma viagem tão prazerosa.
    Uma viagem a dois é muito mais prazerosa porque conhecemos a cara metade, organizamos tudo o queremos fazer, ver, o nosso ritmo e afins.
    O melhor de tudo seria viajar sozinhos e fazer o que nos apetece, essa nunca tive a oportunidade de o fazer porque era incapaz, mas adorava conseguir fazê-lo.
    Em relação à sociedade, que se lixem que não pagam contas a ninguém. =)

    MRS. MARGOT

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    1. Obrigada pelo apoio Mrs. Margot! Infelizmente a minha cara metade não partilha deste desejo de voltar a Paris (ele odeia a cidade) e felizmente estes amigos em questão... já passeámos muito muito juntos e conhecemos bem o nosso ritmo! Além de que temos uma super guia local :D

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  2. Eu nunca passei por essa situação, mas, na minha família, é normal os pais viajarem sem os filhos. Se fosse a ti, eu ia e não queria saber dos comentários "alheios". O teu filho fica bem com o teu marido e/ou pais. Já para não falar que se ele vai para a aldeia, tu também podes ir para Paris! ;)
    Beijinhos

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  3. Ainda sou muito nova mas adorei perceber a tua perspetiva!!

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    Beijinhos ♥

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    1. Obrigada Beatriz... aproveita e viaja muito no entretanto :p

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  4. Posso dar o meu testemunho. Eu adoro Londres. Sempre tive um fascinio louco pela cidade. E sempre disse que quando a visita-se queria ir sozinha. E fui. O meu filho já estava um pouco mais crescido - 8 anos - e claro o pai não gostou nada da ideia. Houve quem disse o mesmo.. egoísta, má mãe, etc etc... e sabes que mais. Não quis saber e fui sozinha - 4 dias, 3 noites. E SIMPLESMENTE foi divinal. Trouxe-me energia para os anos seguintes...
    E tens toda a razão - mãe feliz é muito melhor mãe do que uma mãe triste. Por experiência própria. Adoro o meu filho (hoje adolescente) mas digo-lhe muita vez - antes de ser qualquer coisa - sou a Rute... e tenho que estar bem para que consiga estar bem contigo.
    Força isso. Sem medos!!! Boa viagem!

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    1. Obrigada Rute! Fico feliz de saber que fizeste a tua viagem e que foi muito boa :D

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  5. Catarina, o meu marido, em trabalho faz cerca de 8 a 10 viagem por ano. Quando eu lhe falo em viagens ele fica passado, está farto de aeroportos e longas esperas e até odeia andar de avião. Também fui mãe nova e tive vários anos sem puder realizar esse desejo. Decidi começar a viajar sozinha é um pouco solitário eu sei mas é melhor que nada, venho sempre com as energias renovadas e muito bem disposta. Isso também é ser boa mãe. Ter tempo para nós para depois darmos o melhor de nós. Beijinhos

    https://despertarosonho.blogspot.pt/

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    1. :) concordo! Obrigada pela tua partilha;*

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  6. Como eu te entendo Catarina. Eu viajei antes de ter filhos, aliás é uma das coisas me me faz mais feliz. Mas depois deles nascerem (como não tenho quem fique com eles) nunca mais. Vivo a desejar esse momento e sei que só nos faz bem. Não se trata de não os querer levar, mas de facto com os miudos atrás e toda a logistica que implicam, não descansas. Não experimentas aquela liberdade de férias, ir onde te apetece, almoçar as 15h e andar a pé por três kilometros (coisas que sabem bem nas viagens). Não desistas! Vai te saber mesmo bem!

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